Dias de Frida

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Nesses dias sinto-me como Frida, apesar das dores, há jardim dentro de mim.
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Dias de olhares verdes, o coração sangrando em vermelho e de idéias multicores na cabeça.

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Os deputados distritais na sua maioria continuam insistindo na idéia de passarem por cima das leis, da constituição, da natureza, da vida. Em mim fica uma dúvida que não se cala: qual o interesse dessas pessoas ao desejar promover tanta destruição daquilo que é bandeira mundial, o meio ambiente, já que dele depende nossas vidas... ?

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O avesso das coisas

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Para que serve uma parada de ônibus?
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Apropriação por afinidade


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Minha dor é perceber

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais..."

Minha mãe quase não tem manias. Já a vovó Flora tem regras para tudo. Só que eu sei, nos últimos 30 anos ela toma banho às 17h. Desliga a tv depois do almoço para "esfriar", para ver novamente à noite.
Ao mesmo tempo ela é vanguarda. Quando lançaram o vídeo cassete mesmo sem saber o que era direito, ela comprou um. Foi assim com o cd, dvd, frezzer, tv de 29 polegadas e a mais recente de LCD. Assim que a Net chegou ao Guará ela assinou. Dessas coisas novas (para maiores de 40) a única coisa que ela não se interessou em usar foi o computador. Faz sentido porque ela foi precariamente alfabetizada no início dos anos 20. Mas quando levo fotos de família ela corre para ver no monitor do micro.
Vovó Flora tem uma vasilha só para esquentar água, uma só para cozinhar o feijão. Não pode misturar o pano de passar no chão da cozinha com o que é usado no corpo da casa etc. Evidente que eu achava essas manias típicas de velho. E que jamais faria isso.
Semana passada me peguei reproduzindo as manias da vovó. Comprei uma Havaianas para usar em casa, idêntica a que uso na rua. Uma chaleira para aquecer água, um copo de alumínio com asa (tinha que ser com asa para remeter à minha infância) para tomar água do meu filtro de barro.Com certeza farei mais coisas do gênero.

Rabelo
13 maio 09


André Rabelo é professor de história e fotógrafo que registra seu cotidiano de forma leve e que flui como uma boa história de ouvir. Quando fala também é assim.

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Augusto Boal...

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Clicando na imagem ela se amplia.

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Indignação

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Bem. Não tem jeito. Eu preciso pelo menos escrever. Caso contrário, explodo! Primeiro eu irei alongar os meus braços, aprumar a coluna e respirar fundo. (pausa). Pronto. Eu fiz um vídeo, como podem ver logo abaixo. Coisa simples. Meu jardim com flores em dias de chuva ao ritmo de Carmina Burana. Sem nenhuma pretensão comercial, apenas um respirar poético em imagens, para expressar uma idéia. Um exercício de edição, de composição com imagens em movimento. Enfim, coisa simples. Desejei compartilhar com os amigos e amigas aqui no blog. Para colocá-lo aqui foi preciso, de acordo com as normas do blogger, publicá-lo na internet antes, fiz isso no Google e no you tube. Na sexta feira eu recebi uma notificação em meu emeio dizendo o seguinte: “Notificamos a remoção ou desativação do acesso ao material a seguir em decorrência de uma notificação de terceiros da parte de Schott Music GmbH & Co. KG informando que este material é infrator: Carl Orff em meu jardim: http://www.youtube.com/watch?v=O1A04HWkNj4

Ta. Tudo bem. Não pedi autorização para ninguém para usar aquela música. Por outro lado pergunto: estou prejudicando alguém com esse vídeo? Estou ganhando dinheiro com ele? Não. Pelo contrário, estou divulgando uma música que acho bacana. No meu entender, há uma atitude educativa nisso.

Sabe, eu fico chateada com essas coisas. Faz-me recordar de um caso, de um senhor que foi preso anos atrás porque retirava cascas de uma árvore que tem propriedades medicinais, disseram que ele havia cometido crime ambiental. Ta bom, isso é crime. Mas, tomar de assalto terras de um povo, com mananciais de água que é um bem não apenas de Brasília, mas do Brasil, quiçá de toda a humanidade, pode? Trocar essas terras por voto, pode? Entregá-las nas mãos de empreiteiros para inchaço de uma cidade que já sufoca, pode? Tomar de assalto um parque ecológico, como o do Guará, minha cidade, parcelar esse parque e sabemos que futuramente o destino seria entregá-lo nas mãos de mais empreiteiros, (bato na madeira três vezes) para a construção desenfreada de prédios, prédios e mais prédios, isso pode? Ta bom. Outra coisa que pode também é retirar 10 milhões dos cofres públicos, do nosso dinheirinho suado, para fazer uma campanha, op´s, quer dizer, festa sem ao menos nos perguntar que tipo de festa, que artista queremos. Pegar esse dinheiro e entregar nas mãos de gente da indústria do entretenimento, pois artistas não são, gente que já tem muita grana e deixar de lado as manifestações locais! Isso também pode. Ah, mais uma coisa que pode: aplicar 38 milhões em publicidade enquanto que no mesmo período aplica-se 18 milhões na educação, na saúde e na segurança juntos, como já disse, isso também pode. Aumentar o salário dos professores, não pode. Gastar 38 milhões em publicidade, pode. 10 milhões com gente da espécie da Xuxa, pode. Comparo isso a você deixar de se alimentar para comprar uma roupa de festa, cara e descartável, sem valor de tempo...

Bem, você poderá dizer que não foi o Arruda que mandou retirar o meu vídeo do ar. Mas foi um tipo de gente que tem as mesmas raízes, que compartilha da mesma lógica: a do mercado. Talvez se eu estivesse baixando músicas da internet, copiando cd’s e comercializando por aí, desde que passasse um pouco da grana para alguma autoridade, não tivesse sido notificada. Pois do mesmo modo não fizeram e ainda fazem os grileiros com as terras do povo de Brasília?

Os dias não tem sido fáceis. Muitas coisas erradas e indignantes acontecem ao mesmo tempo. Os políticos mentem, a mídia repassa a mentira e manipula a realidade. Estamos todos sendo muito prejudicados. Tudo isso em função da grana. Do poder. Da vaidade. Fico pensando: o governo e os deputados (na sua maioria) conseguem deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente? A consciência dessa gente não dói? Não tem eles nenhum tipo de remorso pelo mal que causam a tanta gente? Por acabar com a natureza, por deixar pessoas morrendo nos hospitais, tudo isso em função de poder, de dinheiro? Para que, me digam, essa gente quer mais dinheiro do que já possuem? Vão morrer por volta de 80 anos, como todo mundo. Seus herdeiros terão dinheiro para fazer como eles, voar em seus aviões e helicópteros por sobre o caos do trânsito e nossas cabeças, beberão água limpa e em abundância em suas ilhas paradisíacas livre de poluição e secura, por quanto tempo? Por quantas gerações? Se tudo é um sistema. Se que o que está sendo causado aqui, vai alcançar todo o planeta em algum momento. Como o bater das asas de uma borboleta...

Desculpa, mas isso é foda.
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Em dias de greve, a poesia alimenta...

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TECENDO A MANHÃ
(João Cabral de Melo Neto)

Um galo sozinho não tece uma manhã
Ele precisará sempre de outros galos
de um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro. E de outros galos.
Que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma teia tênue
se vá tecendo entre todos os galos

E se encorpando em tela entre todos
Se erguendo tenda onde entrem todos
Se entretendendo para todos no toldo
A manhã que plana livre de armação
A manhã toldo de um tecido tão aéreo
Que tecido se eleva por si: luz balão
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Desnecessárias necessidades

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Meu desejo é o de materializar aqui em palavras e imagens, como por encanto, magia, os pensamentos que penso enquanto caminho... enquanto sigo os meus dias... já que o tempo tem sido tão pouco para tantos desejos, para tantas necessidades, reais e inventadas. Ainda hei de parar de inventar necessidades, de necessitar das necessidades e serei simples e nua. Nesse dia serei feliz e vou voar...

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Poeminha infantil

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Uma menina vermelha
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma menina lilás.
Um menino amarelo
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma verde esperança
de poderem viver felizes para sempre...

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Carl Orff em meu jardim

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Um jardim entre grades, a natureza e seu movimento, chuva e vento em harmonia com Carmina Burana.



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Um pouco sobre Carl Orff e Carmina Burana:
http://www.das.ufsc.br/~sumar/perfumaria/Carmina_Burana/carmina_burana.htm

"Criançamento"

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Como é linda a voz de uma criança. É uma música tão gostosa de ouvir. Aliás, as coisas nascidas de logo são tão belas: o broto de uma planta, um botão de rosas, a mãozinha macia de um bebê, a unhinha do seu dedo mindinho. Lindo tudo. Passo sempre por uma rua onde há uma casa que criam algumas galinhas, na verdade é uma espécie de galinheiro/gaiola, já que o espaço é pequeno, bem na frente. Imagino que seus moradores sejam algum tipo de saudosistas do interior de Goiás, que teimam em manter um vínculo com a pré-modernidade, nessa ex-satélite da moderna Brasília. Tempos atrás passava por ela e naqueles dias haviam nascido muitos pintinhos. Não os via, mas escutava os piados múltiplos e seguidos, aquele barulhinho agitado acompanhou-me por muitos metros... parecia uma musiquinha, um chorinho acelerado, tão fininho, baixinho, suavezinho... Senti saudades, mais um tipo de saudade da minha infância, quando convivia com esses sons que vibravam junto com o ar ensolarado das tardes interioranas. Aqueles piadinhos, na hora, fez-me lembrar as vozes e chorinhos dos bebês, já que bebês eles também são. Não sei o que irão fazer com aqueles animaizinhos, provavelmente não experimentarão o cantar ou o cacarejar dessa ave adulta, assim como nem todas as vozezinhas de tantas crianças, não chegarão a pronunciar palavras inteiras, com um som grave, pois serão retiradas da vida antes do tempo. Escutando uma musiquinha assim de uma criança conversando noutro dia num ônibus bem cheio, lembrei-me desses pintinhos, que haviam me feito lembrar de bebês, que me fazem pensar em música, em botões de rosa, no verso de um poeminha que escrevi há anos atrás sobre o barulhinho das gotas de água nas folhas que se pareciam com rock de grilo, que me faz pensar na chuva, e essa nos desabrigados das enchentes e essa quantidade de gente solta me faz lembrar das guerras e das imagens da TV de crianças mortas nos atuais conflitos...(pausa)...

A voz de crianças, além de se pareceram com os botões de flor e os piadinhos finos dos pintinhos, se parecem também com os diamantes nas jóias e as estrelas no céu.