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Bem. Não tem jeito. Eu preciso pelo menos escrever. Caso contrário, explodo! Primeiro eu irei alongar os meus braços, aprumar a coluna e respirar fundo. (pausa). Pronto. Eu fiz um vídeo, como podem ver logo abaixo. Coisa simples. Meu jardim com flores em dias de chuva ao ritmo de Carmina Burana. Sem nenhuma pretensão comercial, apenas um respirar poético em imagens, para expressar uma idéia. Um exercício de edição, de composição com imagens em movimento. Enfim, coisa simples. Desejei compartilhar com os amigos e amigas aqui no blog. Para colocá-lo aqui foi preciso, de acordo com as normas do blogger, publicá-lo na internet antes, fiz isso no Google e no you tube. Na sexta feira eu recebi uma notificação em meu emeio dizendo o seguinte: “Notificamos a remoção ou desativação do acesso ao material a seguir em decorrência de uma notificação de terceiros da parte de Schott Music GmbH & Co. KG informando que este material é infrator: Carl Orff em meu jardim: http://www.youtube.com/watch?v=O1A04HWkNj4”
Ta. Tudo bem. Não pedi autorização para ninguém para usar aquela música. Por outro lado pergunto: estou prejudicando alguém com esse vídeo? Estou ganhando dinheiro com ele? Não. Pelo contrário, estou divulgando uma música que acho bacana. No meu entender, há uma atitude educativa nisso.
Sabe, eu fico chateada com essas coisas. Faz-me recordar de um caso, de um senhor que foi preso anos atrás porque retirava cascas de uma árvore que tem propriedades medicinais, disseram que ele havia cometido crime ambiental. Ta bom, isso é crime. Mas, tomar de assalto terras de um povo, com mananciais de água que é um bem não apenas de Brasília, mas do Brasil, quiçá de toda a humanidade, pode? Trocar essas terras por voto, pode? Entregá-las nas mãos de empreiteiros para inchaço de uma cidade que já sufoca, pode? Tomar de assalto um parque ecológico, como o do Guará, minha cidade, parcelar esse parque e sabemos que futuramente o destino seria entregá-lo nas mãos de mais empreiteiros, (bato na madeira três vezes) para a construção desenfreada de prédios, prédios e mais prédios, isso pode? Ta bom. Outra coisa que pode também é retirar 10 milhões dos cofres públicos, do nosso dinheirinho suado, para fazer uma campanha, op´s, quer dizer, festa sem ao menos nos perguntar que tipo de festa, que artista queremos. Pegar esse dinheiro e entregar nas mãos de gente da indústria do entretenimento, pois artistas não são, gente que já tem muita grana e deixar de lado as manifestações locais! Isso também pode. Ah, mais uma coisa que pode: aplicar 38 milhões em publicidade enquanto que no mesmo período aplica-se 18 milhões na educação, na saúde e na segurança juntos, como já disse, isso também pode. Aumentar o salário dos professores, não pode. Gastar 38 milhões em publicidade, pode. 10 milhões com gente da espécie da Xuxa, pode. Comparo isso a você deixar de se alimentar para comprar uma roupa de festa, cara e descartável, sem valor de tempo...
Bem, você poderá dizer que não foi o Arruda que mandou retirar o meu vídeo do ar. Mas foi um tipo de gente que tem as mesmas raízes, que compartilha da mesma lógica: a do mercado. Talvez se eu estivesse baixando músicas da internet, copiando cd’s e comercializando por aí, desde que passasse um pouco da grana para alguma autoridade, não tivesse sido notificada. Pois do mesmo modo não fizeram e ainda fazem os grileiros com as terras do povo de Brasília?
Os dias não tem sido fáceis. Muitas coisas erradas e indignantes acontecem ao mesmo tempo. Os políticos mentem, a mídia repassa a mentira e manipula a realidade. Estamos todos sendo muito prejudicados. Tudo isso em função da grana. Do poder. Da vaidade. Fico pensando: o governo e os deputados (na sua maioria) conseguem deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente? A consciência dessa gente não dói? Não tem eles nenhum tipo de remorso pelo mal que causam a tanta gente? Por acabar com a natureza, por deixar pessoas morrendo nos hospitais, tudo isso em função de poder, de dinheiro? Para que, me digam, essa gente quer mais dinheiro do que já possuem? Vão morrer por volta de 80 anos, como todo mundo. Seus herdeiros terão dinheiro para fazer como eles, voar em seus aviões e helicópteros por sobre o caos do trânsito e nossas cabeças, beberão água limpa e em abundância em suas ilhas paradisíacas livre de poluição e secura, por quanto tempo? Por quantas gerações? Se tudo é um sistema. Se que o que está sendo causado aqui, vai alcançar todo o planeta em algum momento. Como o bater das asas de uma borboleta...
Desculpa, mas isso é foda.
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Em dias de greve, a poesia alimenta...
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TECENDO A MANHÃ
(João Cabral de Melo Neto)
Um galo sozinho não tece uma manhã
Ele precisará sempre de outros galos
de um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro. E de outros galos.
Que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma teia tênue
se vá tecendo entre todos os galos
E se encorpando em tela entre todos
Se erguendo tenda onde entrem todos
Se entretendendo para todos no toldo
A manhã que plana livre de armação
A manhã toldo de um tecido tão aéreo
Que tecido se eleva por si: luz balão
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TECENDO A MANHÃ
(João Cabral de Melo Neto)
Um galo sozinho não tece uma manhã
Ele precisará sempre de outros galos
de um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro. E de outros galos.
Que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma teia tênue
se vá tecendo entre todos os galos
E se encorpando em tela entre todos
Se erguendo tenda onde entrem todos
Se entretendendo para todos no toldo
A manhã que plana livre de armação
A manhã toldo de um tecido tão aéreo
Que tecido se eleva por si: luz balão
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Marisa.
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terça-feira, abril 21, 2009
Desnecessárias necessidades
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Meu desejo é o de materializar aqui em palavras e imagens, como por encanto, magia, os pensamentos que penso enquanto caminho... enquanto sigo os meus dias... já que o tempo tem sido tão pouco para tantos desejos, para tantas necessidades, reais e inventadas. Ainda hei de parar de inventar necessidades, de necessitar das necessidades e serei simples e nua. Nesse dia serei feliz e vou voar...
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Meu desejo é o de materializar aqui em palavras e imagens, como por encanto, magia, os pensamentos que penso enquanto caminho... enquanto sigo os meus dias... já que o tempo tem sido tão pouco para tantos desejos, para tantas necessidades, reais e inventadas. Ainda hei de parar de inventar necessidades, de necessitar das necessidades e serei simples e nua. Nesse dia serei feliz e vou voar...
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Marisa.
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sexta-feira, março 27, 2009
Poeminha infantil
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Uma menina vermelha
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma menina lilás.
Um menino amarelo
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma verde esperança
de poderem viver felizes para sempre...
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Uma menina vermelha
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma menina lilás.
Um menino amarelo
conheceu um menino azul.
Beijaram e se amaram...
nasceu uma verde esperança
de poderem viver felizes para sempre...
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Marisa.
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segunda-feira, março 16, 2009
Carl Orff em meu jardim
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Um jardim entre grades, a natureza e seu movimento, chuva e vento em harmonia com Carmina Burana.
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Um pouco sobre Carl Orff e Carmina Burana:
http://www.das.ufsc.br/~sumar/perfumaria/Carmina_Burana/carmina_burana.htm
Um jardim entre grades, a natureza e seu movimento, chuva e vento em harmonia com Carmina Burana.
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Um pouco sobre Carl Orff e Carmina Burana:
http://www.das.ufsc.br/~sumar/perfumaria/Carmina_Burana/carmina_burana.htm
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Marisa.
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terça-feira, fevereiro 24, 2009
"Criançamento"
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Como é linda a voz de uma criança. É uma música tão gostosa de ouvir. Aliás, as coisas nascidas de logo são tão belas: o broto de uma planta, um botão de rosas, a mãozinha macia de um bebê, a unhinha do seu dedo mindinho. Lindo tudo. Passo sempre por uma rua onde há uma casa que criam algumas galinhas, na verdade é uma espécie de galinheiro/gaiola, já que o espaço é pequeno, bem na frente. Imagino que seus moradores sejam algum tipo de saudosistas do interior de Goiás, que teimam em manter um vínculo com a pré-modernidade, nessa ex-satélite da moderna Brasília. Tempos atrás passava por ela e naqueles dias haviam nascido muitos pintinhos. Não os via, mas escutava os piados múltiplos e seguidos, aquele barulhinho agitado acompanhou-me por muitos metros... parecia uma musiquinha, um chorinho acelerado, tão fininho, baixinho, suavezinho... Senti saudades, mais um tipo de saudade da minha infância, quando convivia com esses sons que vibravam junto com o ar ensolarado das tardes interioranas. Aqueles piadinhos, na hora, fez-me lembrar as vozes e chorinhos dos bebês, já que bebês eles também são. Não sei o que irão fazer com aqueles animaizinhos, provavelmente não experimentarão o cantar ou o cacarejar dessa ave adulta, assim como nem todas as vozezinhas de tantas crianças, não chegarão a pronunciar palavras inteiras, com um som grave, pois serão retiradas da vida antes do tempo. Escutando uma musiquinha assim de uma criança conversando noutro dia num ônibus bem cheio, lembrei-me desses pintinhos, que haviam me feito lembrar de bebês, que me fazem pensar em música, em botões de rosa, no verso de um poeminha que escrevi há anos atrás sobre o barulhinho das gotas de água nas folhas que se pareciam com rock de grilo, que me faz pensar na chuva, e essa nos desabrigados das enchentes e essa quantidade de gente solta me faz lembrar das guerras e das imagens da TV de crianças mortas nos atuais conflitos...(pausa)...
A voz de crianças, além de se pareceram com os botões de flor e os piadinhos finos dos pintinhos, se parecem também com os diamantes nas jóias e as estrelas no céu.
Como é linda a voz de uma criança. É uma música tão gostosa de ouvir. Aliás, as coisas nascidas de logo são tão belas: o broto de uma planta, um botão de rosas, a mãozinha macia de um bebê, a unhinha do seu dedo mindinho. Lindo tudo. Passo sempre por uma rua onde há uma casa que criam algumas galinhas, na verdade é uma espécie de galinheiro/gaiola, já que o espaço é pequeno, bem na frente. Imagino que seus moradores sejam algum tipo de saudosistas do interior de Goiás, que teimam em manter um vínculo com a pré-modernidade, nessa ex-satélite da moderna Brasília. Tempos atrás passava por ela e naqueles dias haviam nascido muitos pintinhos. Não os via, mas escutava os piados múltiplos e seguidos, aquele barulhinho agitado acompanhou-me por muitos metros... parecia uma musiquinha, um chorinho acelerado, tão fininho, baixinho, suavezinho... Senti saudades, mais um tipo de saudade da minha infância, quando convivia com esses sons que vibravam junto com o ar ensolarado das tardes interioranas. Aqueles piadinhos, na hora, fez-me lembrar as vozes e chorinhos dos bebês, já que bebês eles também são. Não sei o que irão fazer com aqueles animaizinhos, provavelmente não experimentarão o cantar ou o cacarejar dessa ave adulta, assim como nem todas as vozezinhas de tantas crianças, não chegarão a pronunciar palavras inteiras, com um som grave, pois serão retiradas da vida antes do tempo. Escutando uma musiquinha assim de uma criança conversando noutro dia num ônibus bem cheio, lembrei-me desses pintinhos, que haviam me feito lembrar de bebês, que me fazem pensar em música, em botões de rosa, no verso de um poeminha que escrevi há anos atrás sobre o barulhinho das gotas de água nas folhas que se pareciam com rock de grilo, que me faz pensar na chuva, e essa nos desabrigados das enchentes e essa quantidade de gente solta me faz lembrar das guerras e das imagens da TV de crianças mortas nos atuais conflitos...(pausa)...
A voz de crianças, além de se pareceram com os botões de flor e os piadinhos finos dos pintinhos, se parecem também com os diamantes nas jóias e as estrelas no céu.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Partilhando...
Recebi esse texto por emeio e gostei. Como não havia informações sobre sua autoria, resolvi pesquisar e encontrei o "Comunicação Militante", então criei esse link para divulgar, pois é uma reflexão importante e muito redonda.
Comunicação Militante: Jabor, ventríloquo de suas próprias tripas
Comunicação Militante: Jabor, ventríloquo de suas próprias tripas
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Marisa.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Um conselho
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Leia um poema todos os dias. Eles são uma espécie de pílulas para a vida eterna...
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Leia um poema todos os dias. Eles são uma espécie de pílulas para a vida eterna...
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Marisa.
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terça-feira, fevereiro 10, 2009
Tentativa poética
Que lugar é esse que eu não chego?
mas só eu as sinto em mim.
Eu necessito de espaço que me permita.
As palavras
alargam-se na extensão da minha alma doída,
Na impossibilidade de
conduzi-las ao exterior,
para então ser pescada por
alguém desavisado de que essas
palavras são canto de vento.
É, canto.
Anguloso mesmo.
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Marisa.
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Pés de Modotti
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"O que vemos quando olhamos essa cópia fotográfica é algo inequívoco: os pés com sandálias de um camponês mexicano, de roupa branca, própria para o trabalho, unhas quebradas e pele impregnada de poeira, enquanto as mãos estão cruzadas sobre os joelhos e seguram-se mutuamente, envelhecidas e com veias saltadas. Acima dos joelhos, a linha superior da moldura corta o resto do corpo do homem: o único elemento adicional na foto é um relance do pé e da perna de outro homem, muito pouco visíveis no lado esquerdo, impedindo que a composição se torne confortavelmente simétrica demais. Acho essa imagem inexplicavelmente tocante."
Alberto Manguel.
Um pouco sobre Tina Modotti: http://formasemeios.blogs.sapo.pt/586270.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tina_Modotti
Um pouco sobre Alberto Manguel:
http://www.evora.net/bpe/sugest%C3%A3o_leitura_ficheiros/Autores/A_Manguel.htm
Um pouco sobre Alberto Manguel:
http://www.evora.net/bpe/sugest%C3%A3o_leitura_ficheiros/Autores/A_Manguel.htm
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Marisa.
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quinta-feira, janeiro 29, 2009
Pés - parte 1
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Essa foto foi feita por mim no mês de outubro do ano passado. Quando cheguei à parada para esperar o ônibus por volta das 13h, havia um rapaz sentado meio de lado com um dos pés sobre o banco e todas as outras pessoas estavam em pé. Pedi licença para me sentar e ele com um olhar perdido, mas com olhos muito abertos, afastou-se um pouco. Puxei assunto e notei que algumas pessoas passaram a observar o diálogo. Ele não dava respostas claras e alguns sons eram emitidos monossilabicamente. Recordo de uma das respostas: “Não tenho sonho”. Incisiva perguntei novamente: “Não tem nenhum sonho, um desejo?” “Não”. Tirei da bolsa a câmera fotográfica, movimento este acompanhado por seus olhos curiosos e perguntei a ele se o podia fotografar. Balançou a cabeça afirmativamente e um breve sorriso apontou dos seus lábios e seu olhar brilhou... Comecei fotografando seus pés sobre o banco e fiz outras imagens registrando-o como em retratos. Ele gostava e não negava poses. Paramos e ele, que havia se colocado em pé para as fotos, voltou ao banco. Nesse momento chegou um outro rapaz, sentando entre nós, pôs-se a beber água. Nosso personagem pediu um pouco da água, no que este então sugeriu que conseguisse um copo. Ele foi até um quiosque ao lado e não voltou. Ficamos conversando a seu respeito com a participação dos demais que se encontravam em pé. Curiosos passamos a procurá-lo com os olhos, no que descobrimos aliviados que ele estava sentado sob uma árvore próxima e havia conseguido mais que um copo descartável, mas um marmitex e matava sua fome, talvez esquecido de que alguém levava dalí sua imagem. Hoje, quando olho suas fotos, vem ao meu pensamento a pergunta: por onde pisam esses pés sedentos de rumo e sentido...? Ou talvez o que ele sabe fazer é voar, pairando alto sobre as nossas preocupações pequeno-burguesas. Ou não...
Essa foto foi feita por mim no mês de outubro do ano passado. Quando cheguei à parada para esperar o ônibus por volta das 13h, havia um rapaz sentado meio de lado com um dos pés sobre o banco e todas as outras pessoas estavam em pé. Pedi licença para me sentar e ele com um olhar perdido, mas com olhos muito abertos, afastou-se um pouco. Puxei assunto e notei que algumas pessoas passaram a observar o diálogo. Ele não dava respostas claras e alguns sons eram emitidos monossilabicamente. Recordo de uma das respostas: “Não tenho sonho”. Incisiva perguntei novamente: “Não tem nenhum sonho, um desejo?” “Não”. Tirei da bolsa a câmera fotográfica, movimento este acompanhado por seus olhos curiosos e perguntei a ele se o podia fotografar. Balançou a cabeça afirmativamente e um breve sorriso apontou dos seus lábios e seu olhar brilhou... Comecei fotografando seus pés sobre o banco e fiz outras imagens registrando-o como em retratos. Ele gostava e não negava poses. Paramos e ele, que havia se colocado em pé para as fotos, voltou ao banco. Nesse momento chegou um outro rapaz, sentando entre nós, pôs-se a beber água. Nosso personagem pediu um pouco da água, no que este então sugeriu que conseguisse um copo. Ele foi até um quiosque ao lado e não voltou. Ficamos conversando a seu respeito com a participação dos demais que se encontravam em pé. Curiosos passamos a procurá-lo com os olhos, no que descobrimos aliviados que ele estava sentado sob uma árvore próxima e havia conseguido mais que um copo descartável, mas um marmitex e matava sua fome, talvez esquecido de que alguém levava dalí sua imagem. Hoje, quando olho suas fotos, vem ao meu pensamento a pergunta: por onde pisam esses pés sedentos de rumo e sentido...? Ou talvez o que ele sabe fazer é voar, pairando alto sobre as nossas preocupações pequeno-burguesas. Ou não...
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
Colheita
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É tempo de goiaba. Aqui há um pé delas que cresceu entre um muro vizinho e nossa casa. O espaço é pequeno, muito diverso daqueles espaços para pés-de-goiabas da minha infância. Mas ele cresce rumo ao céu, ao sol e frutifica que é uma beleza e gostosura! Minha mãe colhia couves no jardim, junto às rosas elas cresciam com suas largas folhas e poderiam alimentar muita gente. Ofertar o ferro de Marte. Nessas horas penso nos latifúndios e naqueles que passam fome...
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Marisa.
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quinta-feira, janeiro 15, 2009
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