Arruda e seus cavalos

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Nunca gostei de ofender os animais comparando-os com alguns tipos de pessoas. Os cavalos, por exemplo, são seres vivos belíssimos! Além de elegantes, deixaram-se domesticar ainda na pré-história, cooperando imensamente para o processo de desenvolvimento da agricultura, que veio a ser um dos marcos mais significativos para as tranformações culturais da humanidade. Infelizmente eles não possuem o dom do livre arbítrio, não sei porque. Penso eu, que se assim fosse, não se deixariam montar por outros seres vivos, que apesar de possuirem o dom do lívre arbítrio, não possuem o dom do discernimento. Ou quem sabe esses seres que montam, poderiam talvez aproximarem-se mais dos cavalos que passeiam nas minhas memórias de menina, quando os via pela janela passarem em disparada pela rua, na esquina da minha casa, eu morria de medo! Diziam-me que eles estavam disparados, ou seja, fora de controle.
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Não. Estou errada em meu raciocínio. Esses cavalos do Arruda, se aproximam mesmo dos primeiros cavalos: domesticados (institucionalizados), treinados, prontos para avançar.
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Não somos nós, povo, os BANDIDOS!

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Policiais cercando espaço da manifestação em frente à residência oficial do governador do DF no dia 03 de dezembro. Cercaram e bateram em professores, mas o bandido mesmo estava lá dentro!

Lugar e hora das crianças?

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Crianças conduzindo crianças. Essa foi minha impressão ao ver tantas crianças no show do Rappa neste domingo no Guará. Mães muito jovens, passavam por mim em meio à fumaça de cigarro, de maconha, cheiro de álcool e muitas pessoas, sem falar no som altíssimo! Passavam em meio a todo o tumulto segurando de um lado a criança e do outro o celular...

Definitivamente lugar de criança à noite é no aconchego da sua casa, escutando estórias, brincando, ouvindo uma música suave, para no máximo 10h ir dormir... para o hormônio do crescimento agir, para que cresça saudável, atenta e tranquila.

Minha intenção com essas palavras não é condenar às mães e pais que levam seus filhos para a noite e colocam seus pequenos corpos, mentes e espíritos em perigo, mas sim defender o direito dessas pessoinhas de crescerem saudáveis. Certamente o comportamento de muitos de nossos alunos se justifica nessa prática, nesse comportamento de pais e mães incosequentes. Quando chegam na quinta série, recebemos meninas e meninos que não conseguem se concentrar na leitura, desenvolver uma sequência lógica de idéias com continuidade, memorizar operações básicas de matemática... são muitas vezes inseguras, agitadas e agressivas. Sofrem muito por estarem nessas condições e a partir daí passam a sofrer mais ainda as consequências de ações desferidas sobre elas, dando continuidade a um ciclo de sofrimentos, com humilhações em sala, gritos dos pais, direções e professores; apanham, são lhes depositadas valores como irresponsáveis, menos inteligentes e tantos outros, sem que tenham a menor culpa pela condição que se encontram. Nesse quadro chega a Ritalina, como salvação, mas que não passa de mais um aprisionamento e violência contra essas pessoinhas. Reprovações, envolvimento com drogas e suas consequências torna-se mais fácil nesse contexto.

Este é apenas um desabafo reflexivo... pois são tantos os abandonos...

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Sombrinha irisada

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Com a sombrinha carrego a sombra que me cobre,
quando chego largo-a aberta na entrada,
para que escorram os raios do Sol...

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Mesa posta para Bachelard

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No meio da tarde resolvo ler filosofia.
O Sol esquenta meu couro,
o ônibus enfumaça minha pele,
o corrupto continua roubando
e eu penso nas contas para pagar.
Os livros não são poucos
e eu ainda não preparo
chá para os fantasmas.
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Memória

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A gente pára e olha para o passado, enxerga as coisas, todas postas sobre a mesa, todas tortas, deixadas lá. Pegamos com as mãos ainda não trêmulas, lembrança por lembrança, espia cada uma, analisa, observa, devolve à mesa, com a quase estranheza de quando a viveu experiência. Naquele tempo doeu, rasgou, deliciou, chorou, sorveu. Agora lembranças pasteis, ex cor africanidade, ex brilhantismo de sol. São como véus de transparência opaca, no balanço câmara lenta do vento da janela aberta. A poeira lá fora ainda passeia pelo ar. Tudo parado, congelado, nessa arrumação de dança de tempo. As lembranças expostas, colocadas umas sobre as outras, são como corpos de guerra deixados no esquecimento. Batalha final sem fim.
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Zé Monjolim

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Quando criança, havia na minha cidade um homem que chamavam de Zé Monjolim. Não sei sobre a origem desse chamamento e sempre achei curioso. Até hoje na presença desse nome passa-me a imagem de um monjolo pela cabeça e junto vem à mente mais essa cena curiosa que compõe o cenário de crônicas da minha infância.

Eu ficava na janela observando, dias quentes, início das tardes. O vermelho da terra com a luz do sol misturava-se ao sorriso e dentes daqueles meninos. Eram muitos que se juntavam ao redor do Zé Monjolim: vestido de terno cinza, bem apertado, pele morena cor de cabaça, cabelos cortados baixo, todo limpo e empertigado. Trazia sempre no bolso um vidro âmbar com álcool. As crianças ao seu redor riam, riam muito, pois sempre que alguém tocava no seu braço ou qualquer outra parte do seu corpo, ele se limpava com o álcool. Minha mãe nos dizia que ele sentia nojo e que as crianças não deviam fazer aquilo. Mas aqueles meninos eram danados! Quanto mais ele se limpava e brigava, mais as crianças o tocavam... Parados na esquina da minha casa faziam essa arruaça diurna, depois iam embora. Na minha cabeça ficavam perguntas, curiosidades sobre porque ele fazia aquilo.

Desde essa época que eu passei a acreditar que o álcool limpava tudo. Já minha mãe dizia que o bom mesmo era água e sabão, pois esses só não limpavam a língua de fofoqueiros! Não imaginava que um dia iria me sentir como o Zé Monjolim. Tendo que limpar minhas mãos com álcool e ter a preocupação constante de lavá-las com a água e sabão, que continuam não limpando apenas as línguas de fofoqueiros. Que nos dias de hoje, nessa composição urbana, traduzem-se nesse jornalismo que assistimos na tv.

Porém, noutro dia fiquei sabendo que álcool não mata vírus, então me perguntei do porque estarem nos dizendo para passar esse negócio nas mãos.... ah, mas é melhor a essa altura não perguntar muito mesmo não, acabamos por descobrir coisas terríveis com toda essa curiosidade! Água e sabão parece que só leva embora. Mas matar mesmo, também não mata não. Eu acho também que o Zé Monjolim não sabia disso. Mas eu também não sei se ele preocupava-se era com vírus, penso que ele limpava outras coisas do seu corpo. Assim como eu penso que devíamos nos preocupar em matar outras doenças da sociedade, as que têm a ver com poder, com dinheiro a qualquer custo, quem sabe assim não precisaríamos nos preocupar em comprar tanto álcool gel, gel anti-séptico e o diabo a quatro!

O Zé Monjolim talvez não fosse gostar dessa forma de assepsia, fica um negócio meio grudento nas mãos, ainda mais se misturado com poeira, como das mãos dos meus alunos (risos).

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Dias de Frida

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Nesses dias sinto-me como Frida, apesar das dores, há jardim dentro de mim.
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Dias de olhares verdes, o coração sangrando em vermelho e de idéias multicores na cabeça.

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Os deputados distritais na sua maioria continuam insistindo na idéia de passarem por cima das leis, da constituição, da natureza, da vida. Em mim fica uma dúvida que não se cala: qual o interesse dessas pessoas ao desejar promover tanta destruição daquilo que é bandeira mundial, o meio ambiente, já que dele depende nossas vidas... ?

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O avesso das coisas

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Para que serve uma parada de ônibus?
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Apropriação por afinidade


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Minha dor é perceber

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais..."

Minha mãe quase não tem manias. Já a vovó Flora tem regras para tudo. Só que eu sei, nos últimos 30 anos ela toma banho às 17h. Desliga a tv depois do almoço para "esfriar", para ver novamente à noite.
Ao mesmo tempo ela é vanguarda. Quando lançaram o vídeo cassete mesmo sem saber o que era direito, ela comprou um. Foi assim com o cd, dvd, frezzer, tv de 29 polegadas e a mais recente de LCD. Assim que a Net chegou ao Guará ela assinou. Dessas coisas novas (para maiores de 40) a única coisa que ela não se interessou em usar foi o computador. Faz sentido porque ela foi precariamente alfabetizada no início dos anos 20. Mas quando levo fotos de família ela corre para ver no monitor do micro.
Vovó Flora tem uma vasilha só para esquentar água, uma só para cozinhar o feijão. Não pode misturar o pano de passar no chão da cozinha com o que é usado no corpo da casa etc. Evidente que eu achava essas manias típicas de velho. E que jamais faria isso.
Semana passada me peguei reproduzindo as manias da vovó. Comprei uma Havaianas para usar em casa, idêntica a que uso na rua. Uma chaleira para aquecer água, um copo de alumínio com asa (tinha que ser com asa para remeter à minha infância) para tomar água do meu filtro de barro.Com certeza farei mais coisas do gênero.

Rabelo
13 maio 09


André Rabelo é professor de história e fotógrafo que registra seu cotidiano de forma leve e que flui como uma boa história de ouvir. Quando fala também é assim.

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Augusto Boal...

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Clicando na imagem ela se amplia.

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